The Tinfoil Hat Project


Sobre culpa e justiça

Eu jurei que não faria isso. Todos sabem que eu não tenho o habito de comentar acerca de noticias de televisão, especiamente os casos de comoção pública, mas cheguei num ponto em que minha proverbial (ha ha ha) isenção foi levada alem de minha conhecida (he he he) paciência...

 

Segundo recente noticia em jornal escrito de grande circulação, esse tal caso Isabela rendeu para a globo, mais de 20 pontos no ibope, derrubando os invervalos comerciais na emissora por mais de 3 horas, ou seja, Circus Maximus sem direito a pipi  por um tempo maior do que a cobertura das finais de copa do mundo, Brasil e Argentina em campo. Esse tempo de cobertura só se excedeu em 3 ocasioes especificas na históra das ultimas DUAS DÉCADAS da televisão brasileira, quais sejam, a queda das duas torres, a primeira posse do bandoleiro dos nove dedos e a visita do Papa, não o bonzinho, esse nao rendeu tanto, mas do Papa "dos diabos", mas essa visibilidade toda que ele recebeu pode ser por conta do cramunhão, quem sabe...

 

O que me incomoda nessa história não é tanto o show, o festival de pré-julgamentos e a sanha pseudo-justiceira, porem altamente sangrenta e justiciante que o zé-povinho, e mais preocupante, que a massa da neo-inteligenzia do jornalismo (ou seria, tabloidismo) levou a quase-termo nos ultimos dias, nem o fato de que a cúpula da policia civil, a responsável pelo cumprimento das leis e da civilidade de todo um povo, tem tratado essa situação toda como um espetáculo digno dos rolling stones, com declarações, desditas, vazamentos de informações, pedidos de sigilo e, principalmente, aparições publicas de alguns prováveis "pré-candidatos" a um cargo politico de projeção, quem sabe um novo Conte Lopes ou um Senador Romeu "Ossos do Menguelle" Tuma.

 

Pelo que se relatou, com tintas de admiração, havia banheiros quimicos, barreiras de contenção, area VIP, plateia, lanches e demais confortos de um festival de Rock, tudo para melhor engrandecer o "brilhantismo" da nossa capaz e eficiente policia, que ainda conta com truques pscicológicos da velha escola, leia-se DOI-CODI e quetais, que deveria ser extinta e execrada, mas que nesse caso, que é "justo e bom" deve ser mencionada como um grande trunfo, que é superior à nossa combalida policia ciêntifica, dividida em dois corpos, quase sem contato ou colaboração, e que pode estar condenando duas pessoas a anos de sofrimento, apenas levada por numeros do IBOPE na UberGlobo, allmigth e infalível, quase como aquela pequenina escola, chamada Base, e que foi destruida, bem como a reputação e a vida de seus proprietários.

 

Divaguei, dizia eu que o que me choca é a pergunta que deveria tirar o sono de qualquer "cidadão de bem", desses que se vestem de bin laden ou de homem-pomba, ou que compram bolo para comemorar o aniversário da tal Isabela, mas que, alegremente dão entrevistas, saboreando canibalescamente um pedacinho da carne dessa inocente vítima, junto com seus 15 minutos de fama. Essa pergunta é:

 

Se fosse Isabela pobre e preta (assim mesmo, preta, sem falsos moralismos e pseudo-politicamente correto do negro) seria feito todo esse circo ? Ou, junto com todos os jovens negros que morrem todos os dias no Brasil, ela seria apenas mais uma estatística ?

 

Como as crianças que morrem de fome, ou os trabalhadores que morrem "confrontando" a policia, com misos steriosos tiros na nuca, ou dos injustiçados que morrem nas cadeias, muitas vezes pagando por crimes cometidos por outros, acaso esses são casos menos chocantes do que o de um pai que mata uma criança ?

 

Ok, então esses casos não sao tão drasticos, uma criança sendo jogada por um pai da janela do 6 andar é mesmo chocante, entao porque se noticiou com apenas 6 linhas um caso semelhante, um ou dois dias antes, num cortiço qualquer em Salvador, aonde um pai negro e pobre jogou uma menininha, da idade de Isabela ou ainda mais nova, igualmente negra e pobre, igualmente de uma janela de um igualmente 6 andar ?

 

O engraçado é isso, uma menina branca e rica morta é comoção social, uma menina preta e pobre é estatística criminal. O que esperar de um País aonde um concurso de invenções que contava com um colete de proteção para motociclistas, uma cadeira de rodas que podia subir escadas sem ajuda e um terceiro invento de igual importância social foi ganho por um invento que consistia em uma máquina que poderia gelar uma latinha de cerveja em menos de um minuto, com mais da METADE dos votos ?

 

É a era Homer Simpson, quando um porre de cerveja gelada vale mais do que os direitos de um deficiênte.



Escrito por Conspiracy às 17h01
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impressionante como rodo, rodo e nao consigo escrever uma merda que preste nessa porra.

Fica o desabafo enquanto espero minha dignissima me ligar, para que eu possa ir busca-la em seu novo e provavelmente, segundo ela me disse, ex-emprego. O que ocorre é que ela foi chamada para ser chef de cozinha em uma nova danceteria, que inaugurou na Augusta, no lado pobre, nao no nobre, mas por algum motivo os proprietários decidiram que não haverá mais cozinha.

Simples assim, ligaram pra ela, agitaram tudo, ela criou cardápios, listas de compras, e agora, depois de ela recusar outro emprego que seria, ao meu ver, ainda melhor, resolveram que não mais irão servir comida. Agora, como, em nome de São Barrabás, o padroeiro dos terroristas, pode uma danceteria nao oferecer acepipes ???



Escrito por Conspiracy às 22h13
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Plagio desavergonhado !!!

Eu sou meio intelectual, meio de esquerda, por isso freqüento bares meio ruins. Não sei se você sabe, mas nós, meio intelectuais, meio de esquerda, nos julgamos a vanguarda do proletariado, há mais de 150 anos. (Deve ter alguma coisa de errado com uma vanguarda de mais de 150 anos, mas tudo bem). No bar ruim que ando freqüentando nas últimas semanas o proletariado é o Betão, garçom, que cumprimento com um tapinha nas costas acreditando resolver aí 500 anos de história. Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos ficar “amigos” do garçom, com quem falamos sobre futebol enquanto nossos amigos não chegam para falarmos de literatura. “Ô Betão, traz mais uma pra gente”, eu digo, com os cotovelos apoiados na mesa bamba de lata, e me sinto parte do Brasil. Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos fazer parte do Brasil, por isso vamos a bares ruins, que tem mais a cara do Brasil que os bares bons, onde se serve petit gateau e não tem frango à passarinho ou carne de sol com macaxeira que são os pratos tradicionais de nossa cozinha. Se bem que nós, meio intelectuais, quando convidamos uma moça para sair pela primeira vez, atacamos mais de petit gateau do que de frango à passarinho, porque a gente gosta do Brasil e tal, mas na hora do vamos ver uma europazinha bem que ajuda. A gente gosta do Brasil, mas muito bem diagramado. Não é qualquer Brasil. Assim como não é qualquer bar ruim. Tem que ser um bar ruim autêntico, um boteco, com mesa de lata, copo americano e, se tiver porção de carne de sol, a gente bate uma punheta ali mesmo.

            Quando um de nós, meio intelectuais, meio de esquerda, descobre um novo bar ruim que nenhum outro meio intelectual, meio de esquerda freqüenta, não nos contemos: ligamos pra turma inteira de meio intelectuais, meio de esquerda e decretamos que aquele lá é o nosso novo bar ruim. Porque a gente acha que o bar ruim é autêntico e o bar bom não é, como eu já disse. O problema é que aos poucos o bar ruim vai se tornando cult, vai sendo freqüentado por vários meio intelectuais, meio de esquerda e universitárias mais ou menos gostosas. Até que uma hora sai na Vejinha como ponto freqüentado por artistas, cineastas e universitários e nesse ponto a gente já se sente incomodado e quando chega no bar ruim e tá cheio de gente que não é nem meio intelectual, nem meio de esquerda e foi lá para ver se tem mesmo artistas, cineastas e universitários, a gente diz: eu gostava disso aqui antes, quando só vinha a minha turma de meio intelectuais, meio de esquerda, as universitárias mais ou menos gostosas e uns velhos bêbados que jogavam dominó. Porque nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos dizer que freqüentávamos o bar antes de ele ficar famoso, íamos a tal praia antes de ela encher de gente, ouvíamos a banda antes de tocar na MTV. Nós gostamos dos pobres que estavam na praia antes, uns pobres que sabem subir em coqueiro e usam sandália de couro, isso a gente acha lindo, mas a gente detesta os pobres que chegam depois, de Chevete e chinelo Rider. Esse pobre não, a gente gosta do pobre autêntico, do Brasil autêntico. E a gente abomina a Vejinha, abomina mesmo, acima de tudo.

Os donos dos bares ruins que a gente freqüenta se dividem em dois tipos: os que entendem a gente e os que não entendem. Os que entendem percebem qual é a nossa, mantém o bar autenticamente ruim, chamam uns primos do cunhado para tocar samba de roda toda sexta-feira, introduzem bolinho de bacalhau no cardápio e aumentam em 50% o preço de tudo. Eles sacam que nós, meio intelectuais, meio de esquerda, somos meio bem de vida e nos dispomos a pagar caro por aquilo que tem cara de barato. Os donos que não entendem qual é a nossa, diante da invasão, trocam as mesas de lata por umas de fórmica imitando mármore, azulejam a parede e põem um som estéreo tocando reggae. Aí eles se fodem, porque a gente odeia isso, a gente gosta, como já disse algumas vezes, é daquela coisa autêntica, tão brasileira, tão raiz.
 

Não pense que é fácil ser meio intelectual, meio de esquerda, no Brasil! Ainda mais porque a cada dia está mais difícil encontrar bares ruins do jeito que agente gosta, os pobres estão todos de chinelo Rider e a Vejinha sempre alerta, pronta para encher nossos bares ruins de gente jovem e bonita e a difundir o petit gateau pelos quatro cantos do globo. Para desespero dos meio intelectuais, meio de esquerda, como eu que, por questões ideológicas, preferem frango a passarinho e carne de sol com macaxeira (que é a mesma coisa que mandioca mas é como se diz lá no nordeste e nós, meio intelectuais, meio de esquerda, achamos que o nordeste é muito mais autêntico que o sudeste e preferimos esse termo, macaxeira, que é mais assim Câmara Cascudo, saca?).

-- Ô Betão, vê um cachaça aqui pra mim. De Salinas quais que tem?

Escrito por Antônio Prata às 19h59, 23/02/2005



Escrito por Conspiracy às 11h53
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Lenin, Cicarelli e a sindrome de Bart Simpson

Todo mundo faz merdas, todas as merdas ensinam, mas nem todo mundo aprende com sua própria sujeira...

O que eu gostaria de entender é porque, em nome de todos os santos do calendário, canonizados e por canonizar, os famosos fazem merda e não assumem, ou se assumem é só para poder processar quem os pegou fazendo merda, como no caso de nossa querida Lenin tupiniquim, Daniela Picarelli... Ok, ela fez o que quis, deu o que é dela, deu mais do que isso, deu show, deu ibope, deu grana e deu peti, ofereceu um prato de canapés e não queria que ninguem se servisse ?

Esta é a sindrome de Bart simpson, o "eu nao fiz isso" ou o "quando eu cheguei já estava assim", frequentemente associada a uma personalidade egocentrica e eumesmocrata, com toques sutis de exibicionismo e falta de tato, como a maioria de nossas famosas de novela. 



Escrito por Conspiracy às 01h08
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In Vino Veritas

Assim

Escrito por Conspiracy às 23h03
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Defeito de fabricaçao

Descobri que possuo um terrivel defeito de fabricaçao, a total ausencia da habilidade de puxar sacos e parecer um completo idiota, que sao absurdamente necessarias para se dar bem em empregos nos dias de hoje. Tenho certeza, no seculo passado, quando as pessoas eram valorizadas pelo que eram, e nao pelos amigos que possuiam, um homem poderia construir um imperio do nada, utilizando-se apenas de suas forças musculares e de vontade, mas em algum momento a humanidade decidiu que os selfmade men eram figuras indesejaveis, ora, onde ja se viu alguem criar algo sem nunca se depindurar nas extremidades macias, peludas e altamente vascularizadas de um poderoso quaquer ? Foi o fim de uma era do "veja tudo o que eu fiz" e o inicio da fatidica era "voce sabe quem eu conheço" que vai afundar a raça humana no mais profundo abismo de degeneraçao e puxa saquismo. Obvio, apos este meu desabafo claudicante que estou desempregado novamente...

Escrito por Conspiracy às 13h12
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Excuses

Pessoal, estou realmente sumido, mas não é falta de atenção ou excesso de depressão, é apenas porque não tenho net em casa e acabo não podendo atualizar...

Volto em breve com os relatos eletrizantes da história da "Incrivel viagem do judeu branquela à terra da Igreja do rosário dos homens negros" em breve, prometo, sério, é só confiar. Mesmo...

 



Escrito por Conspiracy às 22h28
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Dedicação a Chefia

Era o melhor dos tempos, era o pior dos tempos, era a época dos sonhos e era o momento das desilusões, era meu trabalho e era o meu tormento. Por quase três anos eu trabalhei em uma empresa de publicidade, onde trabalhava como produtor executivo e também gerente financeiro, e acreditava que meu chefe era uma boa pessoa. Minha principal tarefa como produtor era trazer as loucuras que meu chefe criava à vida, não importando o desafio, não aceitando uma resposta negativa e mesmo criando novas formas de trabalho, para realizar o que me era proposto.

Claro que eu deveria receber um bom salário e uma comissão por minha dedicação, mas meu chefe boa pessoa me convencera de que era mais interessante reinvestir minha comissão de volta na empresa para depois, no futuro sacar o dinheiro com juros, quando tivéssemos melhores clientes, em que eu concordei.

Finalmente, quando resolvi que a empresa já possuia clientes o suficiente, resolvi cobrar meu dinheirinho, sofridamente ganho e honestamente investido, e então fui despedido, quer dizer, simplesmente bloquearam meu cracha e trancaram minha sala, com tudo dentro, inclusive minhas coisas pessoais, livros, documentos e bens menores... Nem mesmo olharam na minha cara pra me dizer o que houve.

Hoje estou nessa, não recebi meus direitos, não recebi meu seguro-desemprego, não recebi nem mesmo o meu salário do mês trabalhado e o imbecil que se dizia meu chefe não atende minhas ligações.

E todos reclamaram do meu texto sobre chefes !!!



Escrito por Conspiracy às 18h39
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Poesias em papel de pão

Coisas tão pequenas da vida podem ser tão grandes para quem realmente tem olhos para ver, como uma poesia escrita em papel de pão. Não existe nada mais prosáico do que um velho pedaço de papel pardo, meio sujo de manteiga, com farelo de pão e aquela tradicional aparencia de amassado, e no entanto se pode escrever as mais belas palavra mesmo em sua superficie amassada.

Pense sempre na poesia do papel de pão.



Escrito por Conspiracy às 16h59
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Homens e garotos.

Como um membro adulto e - razoavelmente - esclarecido daquela parcela da humanidade conhecida como "homem viril do sexo masculino", me sinto de volta ao jardim de infancia e à velha caixa de areia... Como sempre a raça humana se comporta como garotinhos ranhentos e chorões, que não se interessam por algo, até que outro garotinho ranhento e chorão estique sua maozinha gorducha e suja de chocolate para o objeto ou torraozinho de areia mijada de gatos da caixinha de areia. 

Porque Homens que se prezem se comportam exatamente assim. A politica internacional se baseia no espirito da caixa de areia, a economia mundial se baseia no espirito da caixa de areia, a religião se baseia no espirito da caixa de areia, até mesmo o sexo se baseia no espirito da caixa de areia, onde uma mulher é tanto mais desejada quanto outros remelentos a desejarem, mesmo que ela nao seja bonita ou sexualmente atraente, basta que alguem a queira, ou que ela já esteja comprometida para que outros se interessem.

Alias, foi este espirito que nos obrigou a sermos competitivos, vencer maratonas, construir arranha-ceus, pontes, foguetes. Porque uma mulher pode se maquiar, usar um vestido bonito, pintar as unhas, dar uma piscada e conseguir um homem, mas um homem não tem artificios, as mulheres são inteligentes, nunca brincaram na caixa de areia, ficavam fazendo casinhas e se maquiando, se preparando para dominar o mundo através dos caixas automáticos e da exploração dos recalques masculinos.

Somos tão abjetamente fracos que fazemos exatamente isso, criamos para conseguir um encontro, desenvolvemos o mundo para sermos amados, dobramos as forças da natureza para conseguir uma transa e, finalmente, apenas para podermos passear com nossas mulheres, pararmos e, passando a mão por sobre seus perfumados ombros apontarmos ao longe e falarmos "vê aquele império ? Fui eu quem conquistou..."



Escrito por Conspiracy às 15h45
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Festas e feriados.

Natal. Existe festa mais divertida e desinteressada do que o natal ? Alguma festa, dentre todas as do calendário Católico, do Ortodoxo, do Candomblé ou mesmo do calendário Tolteca é mais emocionante do que o natal ?

Não importa o fato de eu ser judeu, o altruismo que toma os corações dos seres humanos com a proximidade do natal não cessa de me maravilhar, a forma como as lojas se tornam ainda mais caridosas, com suas milhares de promoções, seus preços de pai para filho, seus magnificos prêmios, dados como se fossem paçoquinhas, aos seus compradores. Sim, porque apenas shoppings, a epitome da boa vontade, o espirito do desapego material solidificado em marmore e neon, poderiam fazer sorteios de "um aparelho de DVD, bastando para isso comprar R$ 500 em presentes" para seus frequentadores, ainda que as probabilidades de se ganhar tal polpudo prêmio sejam de uma para dezeseis milhões, dada a frequencia e assiduidade com que nossos concidadão frequentam estes templos do capitalismo glamuroso e das compras parceladas...

Mais do que isso, alguem já teve o prazer de frequentar a 25 de março nessa época tão desprendida ? Se existe na Terra o paraiso, este se encontra próximo à estação São Bento. Os camelôs, contraparte fiel de seus originais, os vendilhões do templo, dispostos a qualquer coisa para que os passantes possam sair felizes e com suas compras à tiracolo, os lojistas, com suas ofertas irrecusáveis, e mesmo a prefeitura, que espirituosamente iniciou obras na região, transformando a rua numa réplica fiel do Iraque, espalhando ainda seus asseclas, os famosos guardinhas municipais, cujo principal intento era reprimir roubos e furtos, mas se se mostram ainda mais criminosos do que os criminosos que deveriam combater tornam a 25 de março o melhor exemplo do espirito "natalinotropical" - tanto que até acredito que o nome da rua deveria ser permanentemente mudado para 25 de dezembro - e uma passagem obrigatória para as tias velhas e solteironas que desejam presentes baratos. 

Mas a verdade é que eu, como judeu, não deveria estar gastando linhas para falar deste feriado, tenho meu próprio feriado para comentar, o magnifico Chanuká, a festa das luzes. Para os não judeus eu devo explicar o que é esta festa, que dura 8 dias e comemora a retomada do Templo de Israel pelos macabeus, guerrilheiros judeus que se opunham ao dominio romano na região.

Poucas festas do calendário judaico são mais importantes do que esta, que comemora o fato de que, ao retomar o Templo, então usado pelos romanos como estábulo, e encontrando apenas oleo puro suficiente para manter as luzes acesas por 3 dias conseguiram mante-las iluminando o Templo por 8 dias, tempo mais que suficiente para se produzir mais oleo, purifica-lo e trazer para o santuário.

Ok, temos uma festa mais importante que esta que é o Iom kipur, o dia do perdão, mas depois dizem que somos pão-duros e ainda queremos discutir. A segunda festa mais importande dos judeus é aquela que comemora o fato de alguem, extremamente económico conseguir fazer oleo suficiente para 3 dias durar 8 dias, ou seja, comemoramos o primeiro racionamento de energia da história...



Escrito por Conspiracy às 12h33
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Mantenha à distância

Tive o prazer único e inigualável de ir ao banco. Pior do que isso, ir ao banco para pagar, e não para receber, o que torna a experiência ainda mais traumática e dolorosa ! Meu salutar passeio foi coroado com uma das mais malignas e funestas práticas da humanidade, a fila.

Não vejo problemas em ficar alí, alinhado de pé, com pessoas à minha frente e atras de mim, ainda que não simpatize muito com isso, afinal, somos caçadores, estar atras de algo é uma de nossas atitudes atávicas, mas ter alguem respirando em nosso pescoço é algo que - apesar de deveras prazeiroso para algumas pessoas - não me cai bem. O que realmente me incomoda é a falta de tato espacial que as pessoas tem na fila.

Elas agem como se, ao se colar em nós, conseguissem fazer o caixa digitar mais rápido, ou aquela agradável velhinha parladora - que em outras situações nos lembraria nossa doce avozinha, mas que, quando na fila do banco, assume as feições de algum ditador da segunda guerra - ajustar os oculos, olhar ao relógio e dizer: "Oh ceus, como é tarde, deixe-me ir".

O pior não é sentir as pessoas na fila à sua volta, aquecendo o ar falando na sua orelha, o que incomoda são os aromas. Suores, bafejares, perdigotos, tudo se combina para tornar a fila de banco uma das mais odiosas experiências mundanas. E o pior é que as pessoas parecem se regozijar com o acontecimento, pois se apertam e respiram de forma quase erótica, tanto mais quanto mais quente for o dia.

Acredito que, assim como existe a etiqueta do jantar, a etiqueta do sexo e a etiqueta do funeral, deveria existir a etiqueta da fila de banco. Para começar deveriamos estabelecer uma area mínima de distancia a ser mantida, diretamente proporcional aos odores exalados pelos enfileirados mais proximos. Mas mesmo assim, a distância mínima deveria ser aquela medida de um cotovelo ao outro, quando com as mãos enfiadas nas axilas.

Creio até que, não fora andar assim uma situação tão constragedora quanto, poderia até mesmo passar meus dias com as palmas de minhas mãos enfiadas em minhas axilas, mas a palma direita na axila direita e a palma esquerda na axila esquerda, de forma que meus cotovelos ficassem apontados para os lados, limitando assim a area livre para que estranhos se aproximassem. Pensando bem, andar assim bem que teria suas compensassões, quem assaltaria um louco andando dessa forma ?

Mais ainda, haveria forma mais eficiênte de se livrar de um chefe chato ? Duvido que alguem teria coragem de consignar tarefas para um estranho que andasse pelo escritório com as mãos sob as axilas e gritando; "Ei, mantenha a distância, este é meu espaço aéreo !"

Alias, acredito realmente que deveriamos ter soberania de nosso espaço aéreo particular, tendo a liberdade de abrir fogo com armas anti-aéreas contra todos e cada um dos que se atrevesse a se aproximar mais de 80 centimetros de nossos cotovelos.

É por isso que sou obrigado a concordar com meu pai e dizer: "Dane-se o mundo ! Eu posso fazer minhas próprias pessoas !"



Escrito por Conspiracy às 10h53
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Divagações Elétricas.

Hoje ao almoço veio às minhas mãos um pequeno poema. Estava em polonês, lingua de meu avô, e a tradução dizia mais  ou menos isso:

Por favor, alegria, não se zangue por eu achar que te mereço,

Que sejam meus mortos pacientes com a forma com que minha memória os dissolve,

Desculpe-me o tempo, por tudo aquilo que eu perdi de ver em cada minuto,

Perdoem-me meus amores passados por eu acreditar que cada um dos ultimos seria O Primeiro,

Clemência, guerras distantes, por eu levar flores para casa,

Pois sou apenas humano. 

E é isso, somos apenas humanos...



Escrito por Conspiracy às 13h09
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Tratado sobre a amizade sincera.

No princípio fora o verbo, e esse se fez forma, e esta forma – quando em corpo maravilhosamente fêmea e bem torneado – disse: “Você só é meu amigo por segundas intenções”. Desde então, não conseguimos superar tal afirmação, pelo menos, até o presente momento, onde um corpo de filósofos espiritualistas trancedentais virgens que imolam cabras falantes no topo do K2 no solstício de primavera dos anos bissextos, elaboraram esta resposta de maneira sublime para este mal que contamina os relacionamentos.

 

Através de meditações, estes santos homens, concluíram que há um erro silológico em tal afirmação, pois, afinal se o primeiro movimento que levaria um homem a se relacionar com uma mulher seria justamente o sexo, logo, não seria uma segunda intenção mas sim a primeira, única e verdadeira intenção. A conversa, presentes e o companheirismo, se tornam, nesta acepção, apenas acréscimo aprasível e decorrente desta primeira e mais nobre intenção.

 

Desta forma podemos concluir que a amizade entre heterosexuais de mesmo sexo não existe, fato largamente comprovado pelo habito salutar da competição, onde homens competem com seus amigos pelas mesmas mulheres e estas competem  com suas amigas pelos namorados. Assim estabelecemos uma norma nominativa mais condizente com a situação agora compreensível da amizade entre homens e mulheres.

Heterosexuais de mesmo sexo são apenas colegas, de escritório, clube, escola ou mesmo de mais de 20 anos, mas ainda assim colegas, ou no máximo se um foi padrinho de batismo do filho do outro, são camaradas, o que não os livra da situação de um querer ser “amigo” da mulher do próximo. No caso de uma sexualidade duvidosa, masculina ou feminina, devemos considerar tal incógnita como “um conhecido” ou “o carinha lá”, pois desta forma também nos eximimos da culpa de uma tentativa frustrada de amizade.

 

Tendo em vista todos estes fatos assim alinhavados, o que os nobres sábios nos sugerem é justamente se aproximar do sexo oposto com o melhor espírito de amizade, sem falsos moralismos ou fingimentos éticos, pois nada é mais belo do que a pura e desinteressada amizade entre um homem e uma mulher, especialmente se ela for ruiva e tiver sobrenome italiano.

 

Faço, pois, desta assertiva a minha razão de viver, e deixo assim claro o meu pensamento quanto à relação de amizade existente entre um homem e uma mulher. É como as bruxas, “no lãs crêo, pero que lãs hay, lãs hay”.



Escrito por Conspiracy às 10h24
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Adeus.

Aqui haverá tygres.



Escrito por Conspiracy às 16h36
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